quinta-feira, 24 de julho de 2014

Pesadelo

Pesadelo vá embora,
pra longe daqui.
Vá invadir o sono de outro
Esqueça que sou eu que sonho esta noite,
fuja de meus sonhos infantis.

Pesadelo vá embora,
corra na direção de outros sonhos alegres.
Atrapalhe o mundo idílico de quem não merece,
Daqueles que não deveriam sequer imaginar.

Pesadelo vá embora,
não volte, não te quero.
Nunca que te quis,
mas de intrometido ainda assim viestes.
Agora vais.

Pesadelo não volte jamais. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dilacera-me! Demasiado humano.

               Tantos bilhões de estrelas, outras tantas galáxias, e no fim estamos trancafiados num planetinha no meio do nada. Vivendo nossos dilemas cotidianos, encerrados em nossos afazeres que ninguém, absolutamente ninguém - além de nós mesmos - acha importante. Tanta coisa acontecendo no espaço: astros colidindo, meteoros vagando a incríveis velocidades, explosões longínquas formando imagens cheias de cor e profundidade, as quais nenhum pintor, por melhor e mais genial que tenha sido, jamais ousou retratar. E ainda pensamos que estamos no centro. Talvez estejamos. No centro do fim. 

              - "Existe vida em outra parte do universo?"

            Pergunta uma humanidade solitária, agonizante em sua própria dor, amedrontada por estar sozinha em meio ao desconhecido. Como criança que se perde dos pais em meio à multidão. Pequeninos e ambiciosos. Mal conhecemos nosso jovem planeta e já queremos conquistar todo o universo e, não contentes em conquistar o universo, criamos multiversos, como se os múltiplos versos da poesia já não fossem suficientes.
               Ferozes, vorazes. Leões dominantes, Napoleões famintos. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Biografia

Uma pergunta insólita: o que você esconderia em sua autobiografia?
Seu medo da solidão, como um porta retratos esquecido num baú velho? 
Episódios auto censurados, como o dia em que sentiu tesão em meio a uma reunião de família?
Todos os palavrões que você disse e pensou ao longo dos anos?
Ou seria aquele fatídico dia em que ignoraram o que você sentia?
Afinal, o que você esconderia na sua autobiografia?
Seus porres, manias, verdades?
Você seria capaz de mentir em sua biografia? Sim mentir, como fez a vida toda.
Fingiria não ter amado? Negaria que roubou? Que Matou?
Você seria feliz em sua autobiografia? Ou mostraria sua face como realmente é? Atormentada, melancólica, suja.
Confessaria seus ciúmes infantis? Você abriria o jogo?
Contaria seus detalhes íntimos?
Narraria o dia em que broxou, ou quantas vezes fingiu orgasmo?
Você seria capaz de revelar sua tara mais bizarra?
O que você esconderia em sua autobiografia?
Seus preconceitos? Seus preceitos? Seus peitos?
Os dias em que sentiu tédio? Seus flertes com o suicídio?
Contaria o segredo de terceiros? Você revelaria nomes?
Deixaria registrado para a posteridade o dia em que desejou alguém comprometido? 
Suas raivas?
Seus pecados?
Aquilo que você faz quando ninguém te observa? Sim, exatamente aquilo! Você teria coragem?
Você seria capaz de se esconder em sua própria biografia?
Ou contaria tudo, e depois a esconderia?
Diga-me, responda-me:
O que você esconderia em sua biografia?

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Rapsódia

Pura selvageria,
leões da noite é o que são,
caçam suas presas pela madrugada
e não deixam vestígios no dia seguinte.

São cuidadosos,
são delicados,
Mas também são vigorosos.
Como a sinfonia alemã mais intensa que existe.

Ofendem-se com frequência,
defendem-se sempre que possível,
e nunca deixam se levar pelas aparências.
Não relaxam.

Jogam o jogo,
beiram a inconveniência,
e ainda assim não perdem o carisma -
mesmo que seja apenas entre eles mesmos.

Não precisam de salvação,
já foram condenados ao menos uma vez.
Existem por existir,
respiram por respirar.

Velejam ao sabor das brisas,
acompanham o ritmo das marés
Mas são igualmente capazes de contornar o vento,
ou as tempestades que insistem em cair.

Águas barrentas,
levam uma enxurrada de pensamentos para longe.
Mas os respingos insistem em sujar os vidros da janela,
da alma.

sábado, 12 de julho de 2014

Ampulheta

Há quem diga que o tempo cura todas as feridas.
Mas quem é que cura a ferida do tempo?